Ácido Cinza

Games, filmes, séries, cultura pop e redundância.

Rokko-chan: Eu que não amo você

Peguei pesado no título, mas enfim (dizem que eu sou o sucessor do Humberto Gessinger em aliterações, amigos acidistas avidamente avaliando a autenticidade atrevida dessa afirmativa). Mas é claro que o pessoal mais voltado pro lado “Mega Man” ou indie game das coisas (ou o lado menos nerd inútil já que o Luiz tá por aqui agora) que visita o blog ouviu falar do jogo, que saiu lá pelo finzão de Dezembro passado, um clone de Mega Man em flash chamado “Rokko-chan”.

Eu joguei o jogo de cabo a rabo um pouco depois de ter saído e… bem… claro que teve nego melando a cueca, afinal na internet você acha o pessoal melando a cueca por qualquer coisa, até mesmo de maneira literal e até por facehugger nascendo (hã… esqueçam essa analogia), mas comigo… olha, não rolou o sentimento feeling, apud Unidos do Inglês Mané.

Algumas pessoas disseram que o jogo é ótimo porque é “Mega Man com uma mudança genial”, mas… não vejo uma mudança genial. O máximo da diferença é que ela não tem slide, e sim um dash que encurta seu pulo (então ela é mais ou menos um meio-termo entre o Rock e o Bass sem pulo duplo). Só se a “mudança genial” for ela ser tão FOFINHA que dedicam frames imensos a ver como ela parece ser feita de geléia de mocotó e eu acho essa onda toda moeloli um saco.

Eu gosto bastante de “clones” porque muitas vezes sim, eles pegam um material original e dão uma mudança interessante. O pessoal mais das antigas pode lembrar que Ninja Gaiden era mais ou menos considerado um clone de Castlevania com ninjas, por causa das várias lâmpadas ou velas (e às vezes insetos) lá pelo 1º jogo e várias armas diferentes como itens – sem falar da grande diferença que eram as cutscenes.

Também dá pra citar os famosos clones de Strider – Run Saber, Cannon Dancer (do próprio Isuke, designer do Strider do Arcade), Blade Kitten, etc. Mas nenhum deles clonou o original perfeitamente enfiando você pra enfrentar cossaques e robôs com chapéu de palha clonados diretinho do primeiro jogo. Cada um possua uma ambientação bem própria – Run Saber te botava num mundo meio Power Rangers e bobinho, Cannon Dancer te jogava pelos lados do Oriente Médio com um cara que luta sem armas, e Blade Kitten põe uma menina-gato pra brincar de Strider num planeta qualquer aí.


“Run Saber” e “Cannon Dancer”; o sistema é praticamente o mesmo, mas a ambientação…

Nem precisamos ir muito longe – de Castlevania e indie, mesmo, cito de cabeça o “Return of Egypt” que eu coloquei no post “O que eu joguei em 2011”, onde os inimigos tem uma temática egípcia, ou o jogo “Requiem of Blood” que embora rustico graficamente em alguns pontos é divertidíssimo com um sistema de sub-armas que não esgotam necessários para derrotar os chefes, com chefes bem sacados e alguns inimigos que embora ficassem completamente à vontade em Castlevania, não são tão xerox assim.

O problema com “Rokko-chan”, pra mim, é que é simplesmente um clone perfeito até demais. Se você mudar o gráfico da personagem, do cientista malvadinho e os sinais dizerem “Dr. W”, isso aqui ia parecer um Mega Man 11 oficial tranquilo e calmo. O jogo é até competente o bastante para parecer de fato um jogo da Capcom nos retros atuais (e com uma parte gráfica melhor que no mínimo Mega Man 9 sinceramente).

Mas essa perfeição é que cortou o barato das coisas, para mim, pelo menos. É simplesmente tão perfeitamente clonado de Mega Man que… parece vazio. Os chefes também não tem nenhum padrão de design que fuja um pouco dos jogos da série original – eles me parecem o que DEVÍAMOS ter tido antes de ter virado essa muvuca de só reutilizar estilos de corpo de chefes dos 8-bit passados, tirando personagens com designs sensacionais como Burner Man e Ground Man do Rockman & Forte da jogada.

Rokko-chan é “ruim”? Eu diria que tecnicamente ele é praticamente impecável, todo o ‘estilo’ NES está ali representado com perfeição e as chiptunes acompanham o clima muito bem e a jogabilidade também é excelente. Mas é tão obcecado em ser uma cópia perfeita de Mega Man que ele consegue e no processo perde qualquer individualidade.

E aí, particularmente, para mim, o jogo não fisga. Se a única individualidade que os criadores passariam pro jogo é que o personagem principal seria uma menininha de anime forçando tudo para ser fofa, aí é triste. Pelo menos espero que seja só aquela coisa da ‘menina fofa’ não implicar em ‘certas’ coisas como…

…esse desenho foi feito pelos autores do jogo.

Esquece.

Quem não conhece o jogo, pode jogá-lo aqui.

2 Respostas para “Rokko-chan: Eu que não amo você

  1. Hyper Emerson fevereiro 2, 2012 às 10:17 pm

    É, sobre Mega Man Com Minas Anime, o Rosenkreuzstilette tem umas coisas góticas tiradas de Castlevania e Mega Mari tem tiroteio de bullet hell e duas personagens jogáveis que não dividem as armas coletadas. O pouco que Rokko Chan tem de individualidade é que as fases trazem alguns objetos inéditos. Clones de Mega Man geralmente dependem demais de gimmicks vistas nos MM de NES.
    …Mas isso só aumenta a “perfeição ruim” de que você fala.😄

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