Ácido Cinza

Games, filmes, séries, cultura pop e redundância.

Garimpar é preciso… pt.1

Dias atrás estive em uma festa na casa de uma das amigas de trabalho da minha esposa, sabe aquele tipo de festa onde só as mulheres se conhecem e formam aquela panelinha em uma das mesas pra conversarem do trabalho e fofocarem sobre a roupa brega da nova secretária, o silicone exagerado da amiga que não apareceu na festa ou como o novo gerente de departamento é um “ridículo e cavalo” (palavras delas)?

Os homens, em contrapartida, mal se conhecem ou nunca se viram e a conversa não pode ser mais entediante… fala-se de futebol, trabalho e carros. Impressionante como todos entendem de todos os carros e seus sistemas de freios, arrefecimento, potência do motor em todas as unidades (CV, HP, N, kgf…), aros das rodas, etc, mas no fundo todos dirigem Palio, Gol, Celta, todos equipados com motor  1.0 e financiados em 60x pelo banco Panamericano.

Toda essa falsidade e falta de interesse entre as pessoas só pode ser aliviada por alguma distração ou algo que os façam falar menos e aí que o maior problema acontece: Alguém arruma um radinho portátil e junto com ele aquele bendito case de CDs. Só de olhar pra seleção de CDs nesses cases já me da arrepios. Eu aposto com qualquer ser humano na Terra 1 ano do meu salário que vou encontrar mais ou menos os seguintes ítens lá dentro:

  • Festa Sertaneja Vol.2
  • Bruno & Marrone In Concert em Pindamonhangaba ou qualquer coisa do Victor & Leo (pra que esse maldito & ???)
  • As melhores da Pan de 1996
  • Os melhores do Pankadão 2008
  • Skank – Samba Poconé ou qualquer coisa Capital Inicial depois do acústico MTV (e antes dele também)
  • Qualquer disco voz e violão estilo Ana Carolina, Maria Gadú ou qualquer mulher de voz mais grossa que a minha logo quando acordo.

Quem nunca ficou assim em uma festa?

Isso pra mim tem uma definição apenas: “inferno” e quando as pessoas começam a cantar e dançar junto, a definição muda para “tortura dos infernos”. O que mais me impressiona é que no case nada indica que são CDs tocados apenas em festas, não que isso resolva o problema mas pelo menos o atenua, na realidade aquelas são as músicas que a pessoa escuta normalmente, sem o menor problema, para mim, sem a menor vergonha!

Na minha opinião a música brasileira perdeu quase toda sua qualidade após o final dos anos 80 e começo dos anos 90, quando as últimas bandas e cantores fizeram as últimas coisas relevantes e que podem, em última instância, ser lembrados como obra prima. Muitos ainda estão na ativa, cantores, duplas, bandas, mas pense em qualquer um deles que tenha feito músicas boas nas décadas de 70, 80 e pensem nos seus sucessos de hoje em dia. Infelizmente todos abraçaram (ou foram obrigados a abraçar) a nova filosofia de música ser feita para vender e não para ser apreciada, estudada e analisada. O que temos agora é a repetição de fórmulas já conhecidas e vencidas… as novas idéias e criações são indiscriminadamente deixados de lado, afinal de contas, pode ser um fracasso e o dinheiro investido (e lucro esperado) podem não compensar.

Não existe mais música brasileira de boa qualidade? Precisamos nos entregar ao que o comércio nos empurra garganta abaixo? Precisamos agir contra o sistema? Eu acredito que não, pois, felizmente, temos um método muito bom para descobrir coisas novas (ou velhas), de qualidade e,muitas vezes, desconhecida, este método é o garimpo. Sim, o garimpo! Garimpar discos em sebos, lojas de discos antigas, brechós a internet, obviamente, e as vezes até aqueles canais da TV a cabo que ninguém assiste como a TV Senado, TV Camara. É impressionante a quantidade de músicos bons e músicas de qualidade que encontramos se tivermos a disposição simplesmente de prestar atenção e garimpar.

Depois daquela maravilhosa festa onde pessoas dançaram em cima da mesa, meninas choraram os amores perdidos ao som de um sertanejo alla corno e o Michel Teló querendo pegar toda menina na balada que passava na frente dele , encontrei um músico muito interessante que ha tempos havia esquecido, pretendo falar do mesmo na segunda parte desse post e mostrar como músicas simples podem ser muito interessantes.

E vocês, são fãs da música nacional atual? Dançam freneticamente ao som de Michel Telô ou aos funks das mulheres frutas, ou preferem aquela coisa mais hipster  tipo Copacabada Club ou A Banda mais bonita (e repetitiva) da cidade?

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